Histria da Miniatura
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Histria da Miniatura

Dos primórdios a 1ª década do século XX

O surgimento do ato de colecionar miniaturas de automóveis não é preciso. Fontes diversas indicam como mais provável, a virada entre os séculos IX e XX. Esta hipótese é bastante razoável, pois, coincide com o surgimento e o início da utilização do automóvel.

Sendo assim, os pequenos carros teriam despertado na elite da sociedade européia, os mesmos sentimentos de status que as máquinas reais. Logo, nobres europeus, foram os precursores dos automodelistas atuais. Eles colecionavam modelos caros, rudes e anarquizados.

Longe do processo de industrialização, os automodelos eram confeccionados artesanalmente e sem preocupações técnicas de qualquer natureza (escala, detalhes etc...).

Quanto ao possível pai do automodelismo, existem especulações que conduzem ao Sr. Charles Dowst como criador em 1883, de uma rudimentar linha de produção de miniaturas de carros, utilizando-se de uma máquina denominada Line-o-Type.

Outra fonte de explicação para o automodelismo, é que as miniaturas teriam sido produzidas como ferramenta didática para militares e construtores de ferrovias, que as utilizaram como peças para maquetes. Estes pequenos trens e peças militares eram confeccionados na escala 1:43.

Com o passar do tempo, os colecionadores pioneiros, ainda da elite, passaram a adquirir estas peças construídas originalmente para maquetes, pois, elas eram mais bem elaboradas e tinham certa padronização de tamanho (escala). Nascia assim, a escala mais clássica do autmodelismo, à 1:43.

Décadas de 10 e 20

No novo século XX, durante a década de 10, surgem os primeiros fabricantes industriais de miniaturas. O primeiro fabricante, a Bing, elaborou o clássico e valioso modelo Renault. Sua concorrente, a Guntermann, confecciona a miniatura do carro vencedor do rally Paris-Berlim.

Estas miniaturas eram, semi-artesanais confeccionadas em folhas de estanho e pintadas a mão, como quase todas desta aurora do automodelismo. Isto gerava um alto custo, que as tornava caras, o que mantinha o hobby como sendo elitista. Apesar de avanços, os automodelos desta época ainda eram bastante anárquicos em relação ao tamanho.

Nos anos 20, com o desenrolar da era industrial, tornou-se inviável o modo de confecção artesanal, pois, ele inviabilizava as vendas dos automodelos devido ao custo final.

A necessidade de produzir mais rápido e a baixos custos induziu, a primeira grande mudança no hobby, que foi, a elaboração de uma linha de produção de automodelos em larga escala. Isto estabeleceu mudanças nos próprios modelos, tais como: limitação e padronização do tamanho dos modelos através da aplicação de uma escala fixa (o que facilitou a organização das coleções, diminuindo o anarquismo de tamanho), diminuição do tempo de confecção e preço e aplicação de uma melhor tecnologia adquirida com os avanços da metalurgia após a 1ª Grande Guerra.

Estava decretado o início do fim do elitismo no automodelismo.

Décadas de 30 e 40

Na década de 30, um maior avanço na ciência da metalurgia, resultou no aparecimento do Zamac. Este composto metálico de formulação variada (uma liga que pode conter zinco, estanho, cobre, alumínio etc...), constitui-se na segunda grande mudança no automodelismo.

Ele neste período, ainda apresentava uma formulação primitiva, o que fez muitos dos primeiros modelos confeccionados em Zamac racharem ou quebrarem. O surgimento de modelos confeccionados em material mais resistente e moldável que as folhas de estanho, sugere o batismo do hobby como die-cast.

Die-cast pode ter inúmeras traduções, algumas mais ao pé-da-letra e outras mais simbólicas. Mas ao nosso entender, é hoje, o nome universal do hobby, em que se coleciona miniaturas de carros feitos em Zamac ou variações.

Ainda na década de trinta, o fabricante mais importante foi a Dinky Toys, que em associação com a distribuidora Mecano, dominou o mercado com cópias de reproduções inglesas. Eram oferecidos diversos caminhões, e dois autos, um Simca 5 e um Peugeot 402.

Nos anos 40 a Dinky Toys teve como principal concorrente a Solido. Esta marca francesa teve seu reconhecimento através dos tempos e hoje uma antiga miniatura Solido é considerada uma peça valiosa.

As miniaturas elaboradas pela Solido foram reconhecidas na Europa e América e ainda reviveram a função dos antigos modelos, sendo utilizadas pelo militares, em suas maquetes, durante a 2ª Grande Guerra Mundial.

Décadas de 50 e 60

Este bidecênio foi marcado pelo desenvolvimento a nível mundial do die-cast hobby.

Nos anos 50, surgiram os “promos”, brindes promocionais de empresas e companhias, que presenteavam seus clientes com miniaturas que estampavam propagandas.

A tecnologia para o uso do plástico é desenvolvida o que permite um avanço na confecção dos interiores dos modelos. Neste tempo a Dinky dilatou seu catálogo e ofereceu, como exemplo de autos americanos, modelos da Ford, Chrysler e Studebaker, e de europeus, como Citroën, Simca e Peugeot.

Já a Solido, fabricou modelos da Ford, Fiat e Studebaker. Surgem as marcas CIJ e a Matchbox.

Esta segunda é criada para substituir a Moko, que inicialmente, era a responsável pelas vendas dos automodelos da Lesney Products. Isto gera um impulso a mais no die-cast hobby. Durante os anos 60, consolida-se definitivamente a famosíssima Matchbox (marca que, como já mencionamos, pertencia originalmente ao fabricante inglês Lesney Products, e atualmente, pertence a Mattel) e que ficou eternizada pelos seus pequenos modelos (suas escalas variavam entre 1/55 e 1/62) de alta qualidade, que vinham dentro de “caixas de fósforos”.

Quem não se lembra do famoso “molejo” da suspensão dos pequenos Matchbox?

Ainda nesta década, a Solido, se tornou um verdadeiro mito do die-cast hobby. Ela introduz na sua linha de montagem os modelos de alta qualidade, na clássica escala 1:43.

Sua influência do universo die-cast foi tão marcante que grandes colecionadores como, por exemplo, o escritor francês, Daniel Puiboube, creditou aos seus modelos na escala 1:43, importância tal, que foram considerados como o padrão de miniatura que estabeleceu a era moderna do die-cast hobby.

Na segunda metade dos anos 60, foram produzidos, pela Roly Toys, modelos de carros nacionais que atualmente são raridades valiosas. Neste tempo também, a Matchbox, Solido e Schuco instalam-se no Brasil, via Zona Franca de Manaus.

Ao final da década começam a surgir os elementos básicos para a formação da cultura die-cast. Assim, aparecem clubes, lojas especializadas, revistas etc... Como exemplo podemos citar a revista italiana “Quattroruotine” publicada ao longo de quarenta anos, especializada em metal automodelismo ou mais adequadamente die-cast.

Décadas de 70 e 80

Durante a década de 70, é reafirmada a importância da escala 1:43 como ideal para os modelistas die-cast e ocorre um grande incentivo a produção de modelos na escala 1:24, que pela antigüidade e qualidade de detalhes, passa a compartilhar o título de clássica com a escala 1:43.

Ocorreu também, o deslocamento do pólo de principais fabricantes de modelos die-cast para a Itália.

Estabeleceram-se as especialidades temáticas como ideologia na produção de miniaturas. Assim, os fabricantes optaram por oferecer no mercado miniaturas especializadas. Como exemplo, tivemos a Dugu reproduzindo automóveis clássicos, a Edil Toys, com autos de marcas italianas e Polystil (anteriormente Politoys), com bólidos de competição e clássicos europeus.

Na segunda metade da década, surge o embrião da Bburago, a Martoys. Com a Bburago, ocorre a terceira grande mudança no universo die-cast. A criação dos modelos na detalhadíssima escala 1:18, como o já legendário Rolls Royce Camargue, levou a um “BUM” mundial do die-cast hobby.

A precisão técnica e esmero empregados na elaboração dos modelos derrubaram várias barreiras populares que impediam o crescimento da popularidade do “colecionismo de carrinhos-de-ferro”.

As miniaturas eram tão bem feitas, que colecionar deixava definitivamente de ser uma brincadeira de criança. Com isto, a Bburago se tornou no maior fabricante exclusivamente de metal automodelismo (die-cast).

Ao final da década surge um pólo de concorrência asiático, a Maisto. Ela foi grande responsável pelo desenvolvimento da escala 1:24, levando um pouco mais acentuadamente que a Bburago, a precisão existente nos recentes modelos 1:18 à escala 1:24.

Assim, seus modelos 1:24, lançados na década seguinte, foram verdadeiros primores e concorrentes fortíssimos aos produzidos pelos italianos.

Os anos 80 primaram pelo aumento da concorrência asiática. Surgiram inúmeros fabricantes made in China.

A Sunnyside é um exemplo. Esta concorrência produziu dois efeitos. O primeiro muito negativo, porque gerou uma crise financeira que fechou vários fabricantes tradicionais.

A Corgi, apesar de sua tradição de trinta anos no mercado, faliu e se tornou um exemplo disto. O segundo efeito, todavia, não foi ruim para os “hobistas” die-cast. Ele produziu uma baixa geral nos preços dos modelos, o que gerou a popularização definitiva do hobby, tornando possível à constituição de coleções populares (baratas).

Contudo, aqui no Brasil, os efeitos desta popularização não puderam ser sentidos, pois, a proibição de importações tornava uma difícil aventura o die-cast hobby.

Da década de 90 à atualidade

Com a chegada dos anos 90, ocorre à consolidação definitiva dos modelos na escala 1:18.

Surgem dezenas de novos fabricantes, muitos exclusivamente produtores de miniaturas da escala 1:18. Acontece um crescimento das marcas populares e das mais caras. É a democratização do hobby. Todos as classes de pessoas podem ser “hobistas”.

Expande-se a Saico e Sunnyside. É estabelecida a New-Ray. Alguns antigos fabricantes voltam a ativa. São criados fabricantes top line como a Minichamps, que foi responsável por dar aos modelos 1:43 detalhes jamais vistos!

No seu encalço aparece a Vitesse com o mesmo ou superior acabamento na clássica escala. Surge a UT Models, divisão da Minichamps especialista em 1:18. As super top line Franklin e Daunbury Mint, dão um incrível grau de confecção aos seus modelos. A Auto Art tenta obter grau de qualidade semelhante as Mint e com preços mais baixos.

A Maisto torna-se um conglomerado mundial e o maior fabricante de miniaturas de Zamac (faz também aviões, helicópteros etc...) e o segundo maior de die-cast. A Matchbox atinge a marca de mais de 20.000 miniaturas fabricadas e seus pequeninos modelos também passam a serem tidos como clássicos! A Bburago exibe o maior catálogo de todos os tempos!

No Brasil, com a liberação das importações, começa uma expansão do die-cast hobby. Desembarcam por aqui várias marcas populares ( Sunnyside), medianas (Bburago e Maisto) e top lines (Minichamps e UT Models).

Atualmente estima-se que são produzidos mensalmente cerca de 180 novos modelos.

Com isto, os modelistas die-cast vivem bom momento, resultado da herança da década passada, geradora de diversidade, e, mais recentemente, das vantagens de acesso obtidas com desenvolvimento da Internet.

Assim, podemos não só ampliar a história do colecionismo die-cast, como também desenvolvê-la em sua faceta cultural.